sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não fuja da raia. E sempre diga alô

Ontem eu acordei cansada pra dedéu. Desses cansaços que fazem o cérebro sinalizar uma greve de advertência. Quando fico assim, geralmente passo o dia muda, quase não troco uma palavra com ninguém. Por preguiça mesmo. Eu já não falo muito. Imagina nessa situação. Só abro a boca com prazer se for pra devorar um bom (ou não) prato de comida, bocejar, beber água e escovar os dentes. Depois do café da manhã e antes de dormir, né, que eu não sou besta nem nada. Que minha dentista não fique sabendo. Mas vai ser difícil esconder esse fato quando ela for examinar minha arcada dentária e encontrar trinta e duas cáries. Trinta e duas não, vinte e oito. Já contando com restaurações anteriores. Assim como os molares superiores e inferiores que já foram parar na sacola da fadinha dos dentes há um certo tempo. Bobági. Chegando lá vou alegar que tenho baixa imunidade bucal. O Ph da minha saliva é doentinho, não aguenta vestígio nem de folha de alface. E olha que eu uso fio dental diariamente, palavra!

Ainda assim, por mais que eu tente fugir da raia, existem aqueles pormenores dos quais não dá para escapar. Ter que responder a mesma pergunta que minha mãe faz umas seis vezes, por exemplo. Ela é insistente, a criatura. Ou atender às chamadas telefônicas que ninguém se propõe a fazê-lo. Sempre tem um momento do dia em que o povo resolve fazer tudo ao mesmo tempo. É um que está cagando, outro que está vendo algo na tv e que não pode ser interrompido nem sob ameaça bio nuclear. E têlêlê têlêlê têlêlê... sobrou para o "desocupado" do momento. No caso, moá. Acontece que exatamente naquela hora, ou melhor, desde algumas horas antes, eu vinha cantando mentalmente algumas canções, para não enferrujar a cuca. E para espantar os males também. Entre elas estava a música "Bad Things", tema de abertura da série norte americana True Blood. Acho-a sexy, carismática. Fora que me remete às cenas dos últimos episódios dessa ótima segunda temporada que acabou de começar. E que está foda.

Entre um verso e outro, me fixei na frase do refrão principal: I wanna do bad things with you. Dentro da minha cabeça. Repetidamente. Puxei o gancho do telefone. Mexi os lábios. I wanna do? Silêncio. Percebi a merda que fiz. Humm.. a-alô? Do outro lado, a moça da Associação de Cegos que nos liga todo mês com o intuito de nos lembrar da "contribuição" que contribuímos... todo mês. Nem reconheceu minha voz. Logo ela que toda vez me cumprimenta com um Olá Isabel, como você está, tudo na paz? antes mesmo que eu me identifique. Mas não guardo ressentimentos, Érica. Nem todo mundo está pronto para a poesia de um alô diferenciado. E musicado também, que se diga.

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    muito bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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