quarta-feira, 17 de junho de 2009

O melhor amigo do bicho é o bicho

Há uns quatro dias que eu venho pensando nisso. Não o tempo todo, como quando a gente se apaixona por algo ou alguém e passa praticamente 24 horas com a mente neles. Ao acordarmos, durante o dia, pela noite, de madrugada, nos sonhos e até mesmo nos pesadelos. Oras... eu sou meio assim... maníaca-compulsiva-obssessiva, com um que de neurótica e psicótica. Uma pessoa comum, como todo mundo.

E sendo uma pessoa comum como todo mundo, eu só sosseguei quando finalmente desvendei o mistério que rondava meus pensamentos. Levei esses quatro dias os quais referi anteriormente. Ah, vai! Pra descobrir mesmo, na moral, foi questão de segundos, confesso. Acontece que eu nunca lembrava de buscar a resposta, só me recordava da pergunta. Daí que eu imediatamente questionava os que estavam próximos à mim. Mas eles também não sabiam do que se tratava. E eu voltava a esquecer. De procurar onde certamente iria encontrar.


Tem uns 3 meses que meu pai chegou aqui em casa com um filhote de cachorro. Uma fêmea de aproximadamente 45 dias de nascida. Coisa mais linda, mô Deus. Eu adoro filhotes. Fico ainda mais imbecil quando vejo um, seja na televisão, ao vivo, se eu puder pegar então,
melhor ainda. Filhotes de animais "fofinhos", né? O que exclui a maioria dos répteis e muitas das criaturas que habitam nossos horrendos esgotos. É uma coisa séria essa minha mania. Quando criança, levei altos arranhões de gatos, mordidas de vira latas de rua, "carrêras" de galinha, de bodes, cheguei ao cúmulo de ser atacada por um passarinho ao tentar mexer no seu ninho, coitadinho. Olha que rimou, que bonitinho. E isso não melhorou com o tempo, acredite. Claro que eu aprendi algumas lições, limitando-me a cutucar os bichos que não me atacariam, pelo menos de imediato.

Foi desse jeito que um colega de faculdade fotografou uma amiga e eu com as mãos no dorso de um boi: nós, de um lado, braços esticados, sorrisos nervosos; do outro, o tratador - de bigode farto - todo orgulhoso por exibir seu premiado. E tome demora pra nosso companheiro de viagem conseguir controlar o riso, firmar a mão e acionar a máquina. Foi uma agonia, a gente falando entre os dentes "Booooooooooora! Vai logo antes que ele se arrete e resolva nos chifrar, pô!; enquanto o bigodudo nos dizia pra termos calma, que não era assim, daria tempo de corrermos e evitarmos danos maiores. Que belo.


Mas voltando a Camila Pink. Esse foi o nome escolhido. Meu digníssimo genitor olhou pro focinho dela e achou que Camila tinha cara de Camila. Ficou Camila. Pink em homenag
em ao nosso cachorrinho que morreu no início desse ano, sacrificado, após ser diagnósticada uma doença incurável. Fora que o povo daqui adora colocar "nome de gente" em animal. Vide Sofia (meu amor), Lolita, Rebeca, Pierre, dentre tantos outros. Pois que quando eu avistei Camila Pink pela primeira vez, meu impulso inicial foi pegá-la no braço, falando com voz de adulta abestalhada "ô Papai, uma salsicha!" (opa, muita calma nessa hora). Cor de chocolate, olhar esperto, cheirando a perfume de bebê, Camila Pink chegou chegando, subindo na cama das outras cadelas, comendo da ração, bebendo da água, correndo na garagem e fazendo charme com a cabeça sempre que ouvia um barulho diferente. Preciso nem dizer que ela já conquistou a todos, incluindo o pessoal da padaria, do salão de beleza, dos mercadinhos do bairro. De tantas fotos e vídeos produzidos e exibidos com regularidade. Difícil controlar o ciúme de Sofia, a matriarca que engordou um bocado, tamanho o receio de perder seu status de preferida.

Como Camila Pink ainda é um filhote, carregá-la pra lá e pra cá continua sendo uma tarefa deliciosa e constantemente realizada. É o que eu digo: ela não será pequena pra sempre. Pelo menos no comprimento e na largura. Sem contar que seus dentes não constituem uma ameaça mortal. Por enquanto. Fica fácil chamegá-la, pegar suas enormes orelhas e virá-las pra trás. O que a deixa parecida com um ursinho, daqueles que gostam de comer eucalipto, vivem em árvores e são bastante raros de se encontrar. Toda vez que ela fica assim eu lembro desse ursin
ho. Louca pra saber sua denominação. Tipo: "eita, Camila tá parecida com um daqueles ursinhos que comem eucalipto! Como é o nome mesmo? Heim gente? Como é? Aquele, que é bem lindinho e o nome começa com M, se não me engano!".

É. Eu entrava na internet, fazia tudo e nada de pesquisar o nome do ursinho que gosta de eucalipto e parece com Camila. Não, que Camila parece com ele. Aquele, droga. Quatro dias nesse "couro de pica", como diria minha mãe. Ontem, antes de dormir, disse a mim mesma que um sonho iria me solucionar esse caso. Eu acordaria leve e poderia me concentrar em outra coisa tão séria quanto essa.
Dito e feito. Passei a madrugada sonhando que ia pra uma reserva florestal, de jipe e tudo, olha! Via o tal do animal. E seus filhotes, obviamente. A madrugada inteeeeeeeeirinha. Abri os olhos pela manhã, visualizei o nome na placa do zoológico. Branco. Deu um branco. Voltei a esquecer. Aliás, voltei a não lembrar. Assim como voltei a perguntar, dessa vez afirmando que a letra inicial era K e não M, viu? Acha que adiantou alguma coisa? No decorrer do dia, chequei meus e-mails, o orkut, olhei umas matérias sobre Selton Mello. Desliguei o computador. E o nome do ursinho? Agora Inês tinha ressuscitado. E eu... nada. Posteriormente, conversando com minha irmã (que já havia sido interpel
ada umas 15 vezes), descrevi meu sonho. Ela vira pra mim e diz: "Né um Koala, não?". "Rapaz! É isso mesmo!". Começamos a correr pela casa, rindo que nem umas doidas que acabaram de encontrar uma peça de roupa pertencente ao Jude Law, um dente de ouro do Jonnhy Deep, um diário do Chico Buarque, e por aí vai. Chega fiquei feliz!

Um Koala, quero dizer, Coala. Fiz umas pesquisas, olhei umas imagens. Do marsupiau acinzentado de grandes orelhas que em nada lembram as de Camila Pink. Opa. Que de nada as orelhas de Camila Pink lembram. Mas sei lá. Eu cismei que parecia e pronto. Quatro dias. Uma madrugada inteira. Um monte de gente tendo seus sacos preenchidos com a pergunta que não queria calar. Do ursinho que gosta de eucalipto e ninguém sabia o que era.
















Camila Pink

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