terça-feira, 5 de maio de 2009

No futuro do pretérito mais que imperfeito


Eu amei.

Amei o que ele foi um dia.
O que eu fui um dia.
Cada milímetro.
Do que poderia ter sido.
Do que eu poderia ter sido.
Do ele poderia ter sido.
Do que nós poderíamos ter sido.

Amei o se.
O talvez.
O quem sabe.

Amei uma idéia.
Um potencial.
Amei o vazio.
Pois o que não foi acabou nunca sendo.

Amei o difícil.
O trágico.
Amei sofrendo.
Doendo.
Roendo.

Amei a risada.
O suor.
O hálito.
O olhar.
A lágrima.

Amei o que pensava ser só meu.
O que pensei ser só seu.
O que nunca foi de nós.
O que sempre foi deles.

Amei por um dia.
Uma hora.
Um minuto.
Um segundo. Seguinte.

Não amava mais.

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